terça-feira, 5 de abril de 2011

Cordel V - Fúria aos 13

Em seu primeiro ano de vida só alegria.
Aos quatro aninhos vivia de riso e brincadeira.
Cinco anos de vida, já largava a boneca
e começava trocá o mundo real pelo pc de mesa.
Mamãe achava bunito a minina assim,
tinha orgulho da filha inteligente e nada arteira.

Dois anos depois, a minina mal se via.
Seus amigos e maninhos corriam e se sujavam.
A família a mimava, dava tudo que queria
Desde teclado rosa, net mais rápida até a tal webcam.
Anos se passaram-se, e as coisa não mudô
Exceto que a minina agora era mocinha, vejam.

Como que tudo se vai um dia se volta,
Como tudo que se não corta a raíz um dia cresce,
Então assim se foi com linda mocinha,
Não largava mais o teclado, sem net nçao mais vive.
Sua família agora cochicha dum lado pro outro:
"Meu Deus, que má criação esta minina teve".

Agora aos doze anos não parece ter solução.
Troca o dia pela noite, e até cochila na escola.
Fora das telas é Maria, na net já se fantasia,
Se nomia #Chris_gatinha, e na webcam até rebola.
De doce Mariazinha no mundo offline,
Até virar-se na #Chris devassa nas mais tarde das hora.

Mais um ano se passou, feliz aniversário!
Os traços e trejeitos de menininha começavam já a mudar.
De linda, cara de pura e inocente mocinha
A uma moderna adolescente pintada, não sai sem assim estar.
Mudou seu jeito, todos percebiam, até seu nome,
De #Chris_gatinha para #Chris_NightStar_Sou_sua_se_vc_me_ligar!

A jovem dama foi expulsa de casa
Porque um dia, sem saber, saiu com um amigo do pai.
O cabra safado fez tudim com ela
E depois a seu pai a denunciou. - Que confusão, ai ai ai.
E o resto da história mal se precisa mais contar...
Foi expulsa, mora na rua e não sabe pra onde vai...


[b]Fabrício de Souza Lopes

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Cordel IV - Admiração sincera

Causos curiosos desta vida a assombrá,
como este ocorrido na vila de Cutia.
Era um casal de crianças simples,
o menino João, a menina Maria.
A um bocado de tempo, a ainda piveta
Maria interesse nas coisas de João havia.

Sutil guria, e já bem feminina,
também soltava pipa e sem fim corria
em companhia de seu Joãozinho,
seu exemplo, o cumpade de dia-a-dia.
Tudo que ele fazia, sem excessão,
ela batia o pé, também sismava, queria.

No outro lado da história, contava-se
que João sempre fora por Maria louco.
Não deixa passar nada dela sem zoiar,
sem fuçar, e já se inspirava, ficava doido.
E como sua exemplar cumade, no povo
não deixava de deixar claro um receio fosco.

Até os menos falantes boatava
que pelo visto um dia eles ainda casará.
Seus pais de bons zóios aprovava,
As mães sonhavam: - Que alegria nos trará!
Maria e João sobre o tema nem sussurrava
pois seus segredos aos desagradará.

Gira a ampulheta e o raio do tempo passou-se,
cada um caçou seu rumo na grande cidade.
O João, agora no showbusiness, realizara-se:
era dançarino - como sua Maria, sua mulher de verdade.
A doce Maria, malhara e uma fisioculturista virara,
e, como seu João era, tinha seu feminismo e virilidade.